domingo, 29 de dezembro de 2013

Crônicas do Infinito (Parte 1)

Crônicas do Infinito
Tomo I
Conflitos


Por: Rogério Gouveia















Introdução
Há muito, muito tempo, bem além da compreensão humana , uma raça percorreu a existência.
                Vindos de um mundo chamado Hakraby, esses seres que transcendiam o entendimento e iam além do conceito de divindade exploraram e colonizaram inúmeros universos. Eles foram os primeiros entre os primeiros e ficariam conhecidos como Transcendentais.
                Mas chegou o dia em que esses transcendentais, guiados por seu líder, o Matsuuraby, desapareceram misteriosamente deixando a Criação para seus filhos.
                Gerações divinas se sucederam, até que doze gerações depois, a Criação entrava novamente em um ponto de convulsão.

















Prelúdio
                Akyton, olhava o horizonte estelar enquanto pensava que toda sua vida lhe havia encaminhado para aquele momento.
                Enquanto, o nobre Gaiano, pensava em seu destino uma criatura amebóide aproximou-se flutuando em um campo telecinético. Era um Luxor, uma das mais antigas raças do universo, os quais eram constituídos de quase puramente tecido neurológico envolto em uma película protetora que podia mudar de forma.
                “Chegou ... hora!” – falou o ser telepaticamente.
                - Sim...-balbuciou Akyton.
                “Honra... sentimento...ao seu lado.” – Expressou-se o Luxor, e nisso Akyton o olhou com respeito e ambos se teleportaram para a ponte da nave.
                A nave em que estavam, havia sido construída usando a mais alta tecnologia existente. Seu formato hexagonal lhe dava uma aparecia exótica e a fazia brilhar em enorme beleza, como agora ao receber os raios solares da estrela que ficava cada vez mais próxima.
                - Fomos detectados! – anunciou o huno que os recebia na ponte da nave.
                “Esperado era.” – comentou o Luxor.
                Akyton olhou para o vazio e falou:
                - Agora!
                Ao seu comando o espaço brilhou com o surgimento de milhares de fendas espaciais (TDEs) que deram passagem a dezenas de milhares de naves de guerra.
                - A batalha final se aproxima de seu ápice.- comentou o Huno para o Gaiano.
E nisso como em resposta as palavras do Huno, uma nuvem negra ofuscou a estrela próxima quando a frota inimiga se manifestou.
- Trevas...- comentou Akyton. – Vamos dar a eles um pouco de nossa luz.
Centenas de milhões de disparos foram emitidos pela esquadra comandada pelo Gaiano fazendo de suas palavras uma verdade. E em meio ao Caos a batalha se iniciou.
Yuram, a nave que levava Akyton penetrou brutalmente em meio a nuvem inimiga, protegida por uma esquadra de elite e avançou rapidamente.
Mas as forças das Trevas eram enormes e a destruição começou a se formar ao redor da nave.
- Rápido! – gritou o huno enquanto via seus aliados cairem um a um.
Em instantes Yuram navegava sozinha rumo ao seu destino a mercê da destruição, mas nisso a nave brilhou e desprendeu seu núcleo do restante de sua estrutura e avançou enquanto as partes abandonadas explodiam levando infindáveis inimigos em sua nuvem de morte.
- Mais se aproximam!- falou o Huno.
“Infinito ... Eternidade... ao seu lado ... sempre estarão!” – falaram os quatro Luxor’s que os acompanhavam  enquanto desapareciam e ressurgiam em volta da nave criando um campo protetor para que o avanço continuasse rumo a uma enorme estrutura envolta por bilhões de naves da Trevas.
Dentro da nave Akyton viu uma lagrima escorrer de seus olhos enquanto percebia o ultimo suspiro de seres que deveriam ser imortais.
- Deve ir! – disse o Huno. – E que minha morte seja a chave de sua vitória.
Akyton concentrou-se e desapareceu do núcleo da nave para ressurgir no espaço, a tempo de ver seu antigo transporte desaparecer em uma bola de luz que levou muitos inimigos para a morte.
A sua volta ele viu a morte se aproximar e nisso abriu os braços enquanto proferia antigas palavras sagradas e secretas. Uma esfera dourada se manifestou a sua volta e nisso o Gaiano se atirou no meio do dispositivo, maior que uma estrela que as Trevas criavam.
Akyton brilhou como se fosse o núcleo de uma estrela e com fúria liberou a essência de sua alma e de seu espírito. Cada pequena parte de seu ser se inundou de energia e nisso ele percebeu que seu destino se realizaria. Não havia duvidas em suas ações, apenas um lamento, pelo fato de nunca ter tido a oportunidade de encontrar a mulher com quem sonhara desde sua infância. Quem seria ela? Será que ela existia realmente? Infelizmente essas seriam respostas que ele não teria. E com uma última palavra do núcleo de Akyton o poder da Luz foi liberado para destruir as Trevas que assolavam o Cosmos.
- Kritin!- essa foi sua ultima mensagem para a criação, o nome de sua amada, que nunca havia conhecido.
O espaço se contorceu sobre si mesmo e em fúria explodiu levando consigo todo o núcleo da galáxia onde estavam. Era a mais dantesca força liberada na criação em muitos bilhões de anos. Uma força de purificação que daria uma nova chance a um universo que quase se via extinto nas mãos de um avassalador inimigo.
Em meio ao cataclismo Akyton sentiu seu corpo desaparecer e nisso começou a perceber sua consciência se esvair. Infinito e eternidade se abriam diante dele e as portas do mesmo... Ele sentiu...Era uma presença longínqua, mas solida. Era ela, Kritin. E com suas últimas forças o salvador de tantas vidas lançou-se em sua direção na esperança de vê-la pelo menos uma vez antes de seu fim.
Prelúdio 2
“Vida fervilha pelo universo, em infinitas formas, desconectadas umas das outras, mas sem perceber que a tudo tocam e se conectam por suas mentes.”
Muito antes de o homem habitar a Terra, vida já havia no planeta. Mas não somente as formas de vida que conhecemos.
Na antiga era onde todos os continentes eram um só, antes até dos dinossauros andarem pela Terra, vida inteligente andava em nosso mundo, conhecido por aquele povo como Gaia. Os Gaianos eram um povo nobre, vindos das estrelas, após a destruição de seu mundo natal eles se estabeleceram na Terra, Gaia, para dar um novo passo em suas existências.
Mas não apenas os Gaianos habitavam as estrelas. Centenas de raças habitavam a galáxia e viajavam pelo espaço. E muitas outras seguiam seus destinos sem ainda tocar as estrelas, muitas se achando, únicas no universo. Mas não apenas nossa galáxia era habitada, o universo inteiro fervilhava em vida. Portais estelares interligavam longas distancia, dando origem a contatos dos mais variados tipos. Portais esses cuja origem se perdia no esquecimento, pois eram mais antigos que a mais antiga das raças. E mais portais eram construídos a cada dia por civilizações que haviam se apoderado de tais tecnologias.
Vida se espalhava pelo Cosmos, mas não apenas vida... Morte também, morte e Trevas.
Vindas ninguém sabe de onde uma nova raça havia surgido e esmagado a tudo em seu caminho. Galáxias foram conquistadas e outras dizimadas por uma fúria que ofuscava a luz da criação.
Guerra se fez. Guerra que envolveu civilizações cuja evolução estavam muito acima do entendimento mundano que temos em nosso mundo hoje. Mas no final não foram essas civilizações quase divinas que salvaram a criação, e sim ele. Um simples Gaiano, uma das raças ainda novas no espaço, foi o responsável pela continuidade da vida no universo.
Os impérios talvez nunca saibam o que essa paz custou a Ele. Mas sempre respeitarão o ato de sacrifício que deu uma nova oportunidade para a vida. Vida que esta prestes a ser ameaçada novamente.

1
Cem anos depois da Queda das Trevas.
Naves circundavam os céus, liberando feixes multicoloridos que iluminavam a noite de Mu, a capital de Gaia. Uma multidão se aglomerava nas ruas em comemoração a virada do primeiro século após a expulsão das Trevas. Realmente era uma data muito especial que estava sendo comemorada em todos os cantos do planeta e demais localidades onde os seres humanos se encontravam no universo.
Muito acima do solo, no andar de número 511 do palácio presidencial, um enorme salão servia como ambiente de festa e confraternização para as muitas espécies que haviam vindo para a celebração. Não apenas os humanos haviam se beneficiado com a expulsão das trevas, e todos sabiam disso. Embaixadores de muitas raças da Aliança estavam ali em homenagem ao humano que havia encerrado a guerra. Realmente era uma enorme mudança, pois a pouco mais de um século os humanos eram tidos como uma das espécies menores e mais sem importância da Aliança.
Calmamente o Presidente Mackoy caminhou entre todos, distribuindo sorrisos e saudações, até que parou a frente de Sa-or, embaixador do Hunos, uma das raças mais proeminentes da Aliança.
- Um dia especial!- falou o embaixador.
- Sim! E desejamos compartilhar nossa alegria com todos.- respondeu o presidente.
- Reuniram aqui muitos que normalmente não se encontrariam.- comentou o Huno.
- É bom ver que sentimentos podem mudar.- respondeu o presidente.
- Não se engane. – sorriu o Huno. – Eles o fazem apenas em respeito a Ele e não uns pelos outros. Se negar a vir seria desrespeitar sua memória e isso nenhum deles deseja.
- E o senhor, por que veio? Em respeito? – questionou Mackoy.
- Não! Mostramos nosso respeito de outras formas!
- Mas então por que enviar um representante a Gaia agora. Nunca haviam vindo aqui antes.
- Era hora! – respondeu Sa-or.
- Mas por que agora?- insistiu o Presidente.
- Vejo que não entendem. Poucos conseguem entender. Mas em breve ficará claro!- finalizou o Huno, se afastando.
“Estranhos e fascinantes.” – pensou Mackoy.
- Vejo que tentam entender os Hunos!- falou Há’el, embaixador Dorian, uma das raças de poder, mais próximas dos humanos.. – Tentamos isso há milhões de anos e ainda não tivemos êxito. Mas eles gostam de vocês, o que é incomum aos Hunos. Quando...
Repentinamente Há’el se silenciou ao ver um estranho ser, envolto em uma exótica veste entrar no salão. Ao perceber a entrada do novo convidado, todos se calaram em total e completo espanto.
- Um Luxor! – falou Há’el.
- Mas como? Questionou o Presidente.
- Senhor presidente, não houve aproximação de nenhuma nave, além das notificadas. – Comentou um oficial da Federação. (Órgão maior dos humanos no universo).
- Ela esta lá. – comentou o Dorian. – mesmo que não a vejam. Mas, Luxor’s não saem de seu planeta natal. O que ele faz aqui?
O Luxor passou flutuando por todos, desviando o olhar apenas sutilmente para Sa-or, até que chegou ao presidente da Federação Humana.
- Bem vindo. - Falou Mackoy, sem jeito.
O Luxor nada falou.
Um silencio se fez e o Presidente novamente disse:
- O que o traz até nosso lar?
- Destino...- respondeu o Luxor com sua voz modulada, criada por equipamentos de sua veste que cobria totalmente seu corpo, dando-lhe uma aparência humanoide.
- Podemos fazer algo pelo senhor?- perguntou Mackoy.
- Sim...- se pronunciou o enigmático ser e de sua veste flutuou um cristal de dados até as mãos do Presidente.
Feito isso o Luxor desapareceu na frente de todos sem deixar o menor rastro.
- Como? – perguntou um oficial próximo vendo que não haviam traços de teleporte e sabendo que a atmosfera de Gaia era protegida contra tal viagem sem liberação anterior.
Mackoy olhou para Há’el que falou:
- Admito a estranheza do acontecido. Em meus mais de seiscentos anos de trabalho nunca estive na presença de um Luxor. Somente resta ver o que ele deseja.
Os dois foram a um escritório e Mackoy inseriu o cristal de dados em um computador que emitiu um mapa tridimensional e uma mensagem que indicava um local a ser visitado e especificava quem deveria comandar a nave até lá. O comandante Siun Vanlór.

Mackoy e Há’el se olharam e nisso o Presidente passou uma ordem ao ministro das forças armadas da federação. Não havia como não atender os Luxor´s.

Gênese de Fogo - Parte 1

Gênese de Fogo

Por: Rogério Gouveia






“Quando o arrependimento é sincero e a vontade de mudar existe no coração, o Perdão de Deus é Infinito e incondicional”
Evangelho Celeste de Jáve

Prelúdio

Da cabine de comando de sua nave interestelar o Capitão Jelaah vislumbrava admirando a beleza a sua frente. Jurava ele que nunca iria se cansar de observar a magnitude das estrelas gêmeas de Makloran que trocavam matéria entre si em uma espetacular dança cósmica.
            Com ar de tristeza o Capitão viu sua nave se afastar daquele espetáculo celeste, enquanto preparava seus dispositivos para gerar um TDE (tubo de distorção espacial que fendia o espaço encurtando a distancia entre dois pontos.)
            Os geradores iniciavam sua ação libertando matéria exótica com capacidade de distorcer o espaço-tempo e Jelaah se despedia do local quando o próprio tecido espacial pareceu gritar ferozmente, e sem nenhum aviso um TDE de alta energia (usado para ligar pontos longínquos) abriu-se a sua frente.
            Uma onda gigantesca de poder brotou da fenda, jogando a nave longe, logo depois que Jelaah ordenou que os escudos de força fossem colocados na máxima potência. Em meio ao pânico e a confusão, gerados pelo ocorrido, o Capitão avistou uma esfera surgir no vortex do TDE e adentrar no espaço normal. Concentrando-se e usando suas capacidades psíquicas para ver melhor sentiu algo no intimo de sua alma que o gelou; oque quer que fosse aquilo emitia um poder brutal nunca sentido antes pelo Capitão.
            “O que era aquilo?” –pensou ele. O velho Capitão somente havia sentido algo similar quando em presença de Lorde Mikael, o líder dos Arcanjos do Supremo JAVÉ.
            A esfera passou pôr eles como se nada fossem, penetrou em uma das estrelas gêmeas e saiu do outro lado com a mesma facilidade que uma criança tem em andar ao vento.
            Jelaah cerrou os lábios em uma mescla de medo e preocupação ao ver a esfera ganhar velocidade incomensurável e sumir de vista. O que quer que fosse aquilo estava se dirigindo diretamente para o núcleo do Circulo Celeste. Apressadamente ele tratou de avisar sua base central.
           
            Do núcleo da esfera “o ser” olhava tudo a sua volta. Tanto tempo havia se passado desde que tinha ido embora que quase havia se esquecido de suas origens. Mas, apenas quase...
            Hoje era o dia de seu retorno e ao seu redor “ele” via frotas se movendo e naves batedoras tentando alcançá-lo. Um dia, ele mesmo, havia estado em uma destas naves. Mas hoje...elas não eram nada. Apenas grãos de poeira a sua volta. Grãos que certamente tremeriam se soubessem quem estava ali naquela esfera. E tristemente “ele” sabia que estavam certos quanto àqueles temores.
            Nisso “o ser” acelerou deixando a poeira para trás, sem esperança de alcançá-lo e entrou no núcleo do Circulo Celeste.
            Como era lindo ali, “ele” mal se lembrava daquela beleza. Mas uma percepção ocorreu em seus sentidos e a beleza foi maculada pelo aparecimento de forças Celestes de elite. Mas como “ele” poderia culpá-los pôr macular esse local, se “ele” mesmo, no passado, havia sido o culpado pôr danos inacreditáveis àquela beleza.
            “Era hora.” – pensou a criatura.        
A esfera então parou e o ser viu os onze guerreiros a sua frente. Eram seres de grande poder, cheios de confiança, e que se achavam capazes de enfrentar a tudo. Mas para “ele” eram moscas que não estavam à altura de recebê-lo depois de uma ausência tão longa.
Seus olhos brilharam, e de dentro da esfera, sem que o vissem, os congelou no ar, transformando a confiança destes em incredulidade.
Foi somente após isso que o que ele desejava aconteceu. O espaço se dobrou dando lugar a três novas criaturas.
Ao vê-los “o ser” sorriu e a esfera se desfez.
Ao ver o habitante da esfera os onze guerreiros congelados foram tomados pôr um pânico indescritível que paralisou suas almas.
“Crianças!”- pensou ele. E nisso finalmente “o ser” falou a aqueles a sua frente.
-          Metrathon! Meu amigo! Creio que jamais poderei mudar o que fiz!- sua voz soava como o trovão, mas emanava uma emoção profunda.
-          O que fez, esta feito!- respondeu o arcanjo guerreiro.
-          Mikael! – voltou a falar o ser. – Trai sua confiança,...Matei seu filho! Tudo pôr algo perdido!
-          Fez o que tinha que fazer! Seus passos estavam escritos desde muito antes de você nascer! – respondeu o líder dos arcanjos.
-          Gabriel! Meu amigo...Creio que não existem palavras a serem ditas entre nós.
Gabriel, nada disse.
O ser então se aproximou e uma lagrima brotou de seus olhos e caiu no vazio, enquanto falava para o infinito.
-          Pai Eterno! Meu Senhor! Eu voltei! Eu que tanto de mal causei aos Céus e que virei às costas a ti Pai! Que todos saibam que Lucifer voltou ao seu lugar de direito ao lado de Deus!...
            E a história finalmente será revelada.
            Que apareçam os enigmáticos “Segredos de Deus!”

Introdução


Há muito tempo atrás, muito mais do que a mente humana consegue conceber, haviam duas potências Cósmicas gigantescas que se espalhavam rumo ao infinito. Seus lideres eram Deuses de infinitos seres e o são até os nossos dias; são eles Hosheck, o Senhor das Trevas e da Destruição e Javé, o senhor da Luz e da Criação.
Entre tais seres e seus reinos uma vasta guerra ocorria a tempos imemoriais.
JAVÉ, o Mestre Supremo da Luz e líder dos Círculos Celestes, rege seu reino baseado pelos preceitos da Ordem e do livre arbítrio. Valores que deseja espalhar por toda a existência.
Já HOSHECK, o Lorde Supremo das Trevas, é o líder dos Círculos Negros e os governa pelos preceitos daquilo que chama de Caos. Mas na verdade o que esta sob seu comando é um reino dominado pelo autoritarismo total. HOSHECK prega o conflito como meio de evolução e para tanto espalha guerras pelo Cosmos, na esperança de que através delas surjam os mais fortes que caminharão sob o seu manto de comando.
Com forças diametralmente opostas JAVÉ e HOSHECK lutam por seus ideais e em meio a isso um conflito perdura há tempos.
É nesse cenário que nossa história se passa.

1
Batalha de Amasair

Uma relativa paz perdurava a algum tempo nos Círculos Celestes e com isso muitos tocavam suas vidas sem se lembrar do fardo da guerra. Mas uma nova série de investidas ocorreu sobre o Reino Celeste obrigando-o a novas batalhas.
É em meio a uma destas batalhas que nossa saga tem inicio. Um conflito que nunca seria lembrado se nele não estivesse aquele que no futuro seria Lucifer, o ser mais temido dos Céus, mas que ainda era apenas Luhien, um querubim (classe de guerreiros celestes, famosa por sua bravura.)
Amasair era um mundo de grande beleza, onde uma civilização pacifica e muito desenvolvida vivia em harmonia com a natureza. Torres gigantescas e florestas milenares dividiam o espaço, quase em simbiose.
O povo local tinha um governo único e uma só língua e eram dedicados a gaia-ciència (ramo de estudos que visa compreender e dominar as energias totais de um planeta). Sua relação com o reino celeste era de respeito e profundo amor por Javé, mas isso tudo, agora era passado.
Três dias atrás o manto da morte cobriu Amasair quando uma esquadra de Hosheck atacou vinda do nada. As florestas e campos foram transformados, em cinzas, os prédios feitos em pedaços e os lagos e mares banhados no sangue de um povo que foi massacrado e escravizado.
Quando as forças de Javé chegaram encontraram um mundo imerso nas trevas.


Há dois dias os exércitos celestes lutavam com os guerreiros de Hosheck reconquistando vagarosamente o planeta. Mas agora eles estavam prestes a dar um duro golpe no inimigo que os obrigaria a fugirem para longe dali.
Dois esquadrões de doze soldados cada tinham penetrado na zona de comando principal dos inimigos e de lá iriam destruir o núcleo de controle inimigo e assim cortar a comunicação entre os exércitos das trevas.

Abaah, o comandante de um dos esquadrões seguiu rumo ao computador central, enquanto Luhien organizou seus homens rumo a zona do gerador de campo de força que protegia os opressores. Tudo deveria ocorrer em uníssono entre ambos os grupos.
Luhien, tenente das forças de Elmá, dirigiu seu esquadrão pela área de caos à sua frente até que chegaram próximos do alvo.
Tudo estava deserto. “Estranho!”, pensou ele e ordenou que seus homens parassem, para que pudesse vasculhar a área com seus supra sentidos, ampliados ainda mais por sua veste de combate. Rapidamente detectou as defesas locais e após calcular a melhor ação, ejetou quatro dispositivos de seu traje que com uma sequencia de pulsos eletromagnéticos controlados derrubaram os obstáculos.
Com o espaço livre a frente eles seguiram e nisso... a morte se pronunciou.
- Shathar!- gritou um dos soldados celestes ao ver as paredes do complexo se abrirem libertando monstros parecidos com cachorros gigantes.
Shathar eram uma espécie de animal geneticamente modificado para a guerra, similar a um cachorro. Cada um pesava cerca de duzentos e cinquenta quilos, eram muito rápidos, possuíam presas e garras que podiam cotar titânio facilmente e eram muito difíceis de matar.
Os soldados se espalharam. Um deles teve seu braço arrancado por um dos animais e enterrou uma lamina com o outro no plexo da criatura e explodiu dentro deste uma carga de energia. Mas ao rasgar o monstro, o sangue da criatura banhou seu corpo e o resultado foi terrível pois o sangue acido e corrosivo acabou por destroçar sua armadura fazendo sua carne ferver em chamas. A morte foi imediata.
O grupo de Luhien tomou posição defensiva e avançou em meio as feras, as destroçando, mas tomando cuidado com os jatos de sangue das criaturas. Mas então veio o pior, pois junto aos Shathar, sempre existe um Domador.
A cria das trevas pulou de uma plataforma e caiu pesadamente no solo e olhando para seus “cães”, ordenou que recuassem. Gosma caia de seu corpo com mais de dois metros e meio de altura, estrutura forte e meio que reptiliana. Suas presas emitiram um som que parecia ser um desafio e três soldados celeste dos sete ainda vivos, se posicionaram para o ataque.
No instante que avançaram a matilha de animais assassinos atacou impiedosamente. Dois deles se chocaram contra os monstros e o último passou pulando sobre eles. O Domador moveu-se velozmente passando à frente do soldado que terminou seu salto tocando o solo logo na frente da entrada. Com o rosto pálido o celeste tentou dizer algo, mas nisso seu tórax se abriu juntamente com seu abdome fazendo-o cair de joelhos com suas vísceras escorrendo pelo solo. O pobre soldado agonizou muito antes de morrer.
O Domador sorriu e viu seus cães retornarem apos retalharem os soldados.
Inundado de ódio, Luhien ordenou que seus demais soldados recuassem e seu corpo brilhou mostrando o poder de seus chakras (centros de absorção e troca de energia que todos os seres possuem) e pontos nas costas de suas mãos brilharam, liberando laminas de energia que eram como extensões de seus braços.
Furioso ele pulou para o combate com os soldados restantes na sua retaguarda.
Os doze Shathar restantes vieram com tudo e Luhien foi sobre eles executando uma linda e mortal dança com suas laminas dilacerando as criaturas enquanto se desviava dos jatos de sangue que coloriram o ambiente.
Seis monstros caíram mortos e ele avançou sobre o Domador que estava enfurecido pela morte de seus animais.
O ser das trevas desviou-se de seu ataque e veio contra ele com uma lamina negra que brotou de seu antebraço, com um golpe similar ao que havia aberto o soldado celeste ao meio, mas Luhien esquivou-se tendo apenas sua armadura danificada. A criatura era realmente rápida, mas o celeste estava preparado para a batalha.
Concentrando-se, Luhien elevou seu Ki (energia) e expandiu seus sentidos. O monstro veio com a lamina, fazendo-o girar no ar sobre a arma enquanto rasgava o rosto do inimigo com um golpe e ao tocar o solo, o tenente de Elmá cortou profundamente uma das pernas do ser e preparou-se para atravessar-lhe o tórax, quando o Domador desviou-se e segurando-o pela cabeça lançou-o contra uma parede onde Luhien chocou-se pesadamente.
Mal seu corpo tocou o solo, a criatura inchou e cuspiu algo em sua direção. Um campo de força foi erguido e a gosma detonou no contato com este. Luhien com suas laminas ativas, saltou de onde estava rumo à criatura que urrou de ódio emitindo em seguida, tentáculos que o capturaram no ar e o enterraram no solo e depois em uma parede.
Luhien girou e enrolou-se nos tentáculos que se mostravam corrosivos e foi de encontro ao monstro, enterrando neste a lamina de sua punho esquerdo. Os tentáculos afrouxaram um pouco e assim elevou sua lamina direita, penetrando-a por baixo do queixo do monstro e fazendo-a sair pelo topo da cabeça do monstro que morreu instantaneamente.
Luhien com seu corpo queimado livrou-se de sua veste e se concentrou para auxiliar seu fator de cura (todo querubim possui tal característica) no concerto dos danos do corpo.
Seus três soldados restantes eliminaram os Shathar que ficaram perdidos sem o Domador e finalmente explodiram o local, cumprindo a missão.
Abaah e seu grupo tiveram problemas, mas também executaram seu intento, logo após o campo de força cair.
Sem uma organização nas comunicações, as forças de Hosheck em Amasair perderam sua macro-estrutura e foram derrotadas em menos de doze horas.
A vitória tinha vindo, mas a que preço e para quem. Cerca de noventa por cento da população do planeta estava exterminada e os sobreviventes nunca mais seriam os mesmos. Amasair poderia ser reconstruído, mas os danos haviam sido tão profundos que seriam necessários décadas para reestruturar tudo. Cientistas dedicados a Gaia-ciencia neogenica (analise e reconstrução planetária) já se encaminhavam para lá e a população começava a ser preparada para a relocação para outro mundo enquanto Amasair seria reconstituída.
Luhien, já recuperado, andava em meio aos destroços, olhando sem entender o porquê de tanta destruição. “Para que tanta guerra? Por que tantas mortes?”- perguntava-se.
“Poderíamos todos viver em paz e crescer evoluindo rumo ao infinito que é nosso destino. Mas ao invés disso somos forçados ao conflito para termos a paz. Hosheck estava vencendo, pois a simples existência do conflito era uma vitória para ele.”- analisava ele tristemente, mas nisso lembrou-se de Teleah e sorriu novamente. Teleah, seu amor e sua razão de lutar pela paz.
- Estou errado! – falou ele . – Enquanto o amor existir, JAVÉ será vitorioso, nós seremos vitoriosos. É esse o poder que nos move. O desejo de paz, onde possa florescer sem problemas o amor.
E em meio a destruição e ao Caos, Luhien sorriu e falou novamente para si mesmo e para o infinito.
- Meu amor, nós vencemos hoje e um dia derrubaremos as Trevas e estabeleceremos a  Ordem na Criação.

Musashi - Shinigami - (Parte 1)

Musashi
Shinigami








Por: Rogério Gouveia

Apresentação
Vivi pela espada e pela trilha do guerreiro. Nunca fui derrotado em vida e muitos foram aqueles que caíram pelo meu caminho.
            Aos treze anos eliminei meu primeiro oponente, em duelo, seu nome era Arima Kihei, um mestre da espada da escola Shintô. Minha sede de batalhas aumentou com o tempo e escolas inteiras foram dizimadas pelas minhas mãos. Até que chegou o dia, antes dos meus trinta anos, em que eliminei um dos maiores lutadores de meu país usando apenas um remo de madeira contra sua afiada katana.
            Depois deste duelo finalmente entendi que minhas vitórias não se davam completamente pela minha grande capacidade, mas sim pela ineficiência de meus inimigos. Depois deste dia de reflexão mergulhei dentro de minha mente e purifiquei minha ARTE por décadas até que cheguei no meu apogeu técnico, aos cinquenta anos.
            Minha lamina era tão temida que o simples sussurro de meu nome causava pânico nos mais valentes guerreiros, mas em meu coração existia um vazio, pois de que adianta ser um guerreiro se não existe ninguém a altura para lutar. Mas isso mudaria...
            Vivenciei uma vida exatamente da maneira que desejei. Sei que abdiquei de muitas coisas, como amores e amizades, mas esta foi minha escolha. E exatamente por ter vivido assim o que seguiu-se após minha derradeira data neste mundo, não poderia ter sido diferente.
            Minha vida de batalhas internas e externas me levou a uma nova estrada que nada mais era do que uma continuidade daquela em que caminhei enquanto no mundo dos homens.
            Meu nome é Shinmen Musashi Fujiwara no Genshin, mais conhecido como Miyamoto Musashi e esta é minha história. Não minha história enquanto vivo na terra, mas sim a continuidade de minha sina de batalhas e aventuras após a passagem a qual muitos chamam de morte e que eu denominei de Despertar!
1
Despertar
            Vagarosamente a visão do cansado guerreiro foi se tornando turva enquanto a vida escapava de seu corpo. Mas não havia temor algum em sua alma, pois há dias já sabia que o fim de sua vida estava chegando.
            Sem se perder em devaneios sobre o que haveria após o fim de sua jornada física o mais famoso samurai da história do Japão encarou o ambiente a sua volta e vendo que aquele seria seu ultimo suspiro sorriu em um instante final de curiosidade sobre o que viria.
            Brumas invadiram sua mente que se perdeu como em um gigantesco porre de sake. A sensação perdurou por alguns momentos até que explosões luminosas se fizeram à sua volta por alguns segundos dando logo em seguida lugar a uma enorme escuridão e uma estranha sensação de peso e dor. O que seria aquilo?
            O valente Samurai tentou sentir seu corpo e vagarosamente percebeu que ainda tinha braços e pernas, apesar de não poder vê-los. Com dificuldades moveu os braços até o rosto e percebeu que seus olhos estavam impregnados por uma substancia negra e pegajosa que também tapava seus ouvidos. Isso explicava a ausência dos sentidos.
            Retomando o controle de seus membros o guerreiro limpou-se da pasta negra e seus sentidos começaram a voltar vagarosamente.
            Uivos de dor e terror ecoavam a sua volta e assim que seus olhos se recuperaram ele avistou o cenário que o rodeava. Qualquer outro teria mergulhado em desespero, mas ele não. Encolhendo-se em posição defensiva, o Samurai observou calmamente o que parecia ser um vale cercado de montanhas onde a noite imperava e chamas negras e escarlates emergiam do solo. Mas isso não era tudo e procurando a origem dos gritos o restante do cenário se revelou. Seres demoníacos caminhavam ao longe arrastando pessoas rumo a algum ponto nas montanhas.
            - Bakemono... – balbuciou o guerreiro ao ver as enormes criaturas cor de ébano que arrastavam seus cativos em meio as rochas.
            O Samurai foi tentado a intervir mas decidiu que aquele não era o momento de confusão e cuidadosamente arrastou-se até uma rocha escondendo-se, enquanto os seres desapareciam ao longe.
            Vendo as criaturas desaparecerem por detrás de um aglomerado de rochedos o recém chegado ergueu-se e pela primeira vez encarou seu próprio corpo.
            - Fantástico!- exclamou ao perceber que estava jovem novamente. – Mas este lugar... Takuan (monge que o educou na juventude) estava errado. Isso não se parece em nada com o que ele imaginava do pós morte. – comentou o guerreiro consigo mesmo.
            Caminhando pelo estranho vale o samurai procurou por algo que pudesse vestir mas achou apenas alguns trapos velhos.
            - Bem, vai ter que servir... – balbuciou.
            - Não se preocupe com roupas... – interrompeu uma estranha voz vinda de suas costas e ao se virar o guerreiro percebeu a presença de um enorme demônio com cerca de dois metros e meio de altura. – Para onde vai, roupas não se fazem necessárias. Afinal nós não comemos roupas! – zombou o ser.
            Sem se assustar o samurai olhou a sua volta analisando o terreno e virando-se para o monstro falou:
            - Acabei de chegar e por isso não desejo combates por enquanto. Por isso lhe dou a oportunidade de continuar vivo se assim desejar. Basta que se vá!
            - O que! – gargalhou o demônio. – Quem você acha que é para falar assim. Você é comida e nada mais!
            - Aproveite sua chance. – retrucou Musashi.
            - Vou arrancar seus membros e levar apenas os pedaços. E sabe o pior, ainda vai estar consciente depois disso! -  grunhiu o monstro mostrando as garras de seus dedos que pareciam facas de cor escarlate.
            - Musashi! -  exclamou o samurai.
            - O que? – perguntou o demônio.
            - Meu nome. Não acho educado deixá-lo morrer sem saber que o eliminou. - respondeu o guerreiro.
            Urrando de ódio o monstro correu sobre o guerreiro que mergulhou no solo rolando enquanto pegava algo para levantar-se aos pés da criatura que repentinamente gritou e recuou assustada enquanto percebia pedaços de ossos cravados em suas axilas.
            - Tudo que vive, morre! – exclamou Musashi que com um salto voou sobre o ser para cravar o que parecia ser um enorme fêmur (osso da coxa) na testa do monstro que caiu pesadamente no solo sem vida. – Sarabada! – saudou ironicamente despedindo-se do inimigo.

            - Meus instintos estavam certos. – falou Musashi consigo mesmo. – Se estamos vivos aqui, podemos morrer novamente. – finalizou caminhando para longe daquele lugar antes que outras criaturas demoníacas viessem ao seu encalço.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Daniel - Magia e Mistério (parte 1)











Daniel
Mistério e Magia

Rogério Luis Gouveia











Prelúdio

            Kristina Taylor era uma garota como qualquer outra de sua idade, ou pelo menos era o que todos pensavam quando a viam pela primeira vez. Mas ao conhecê-la melhor este conceito certamente cairia por terra rapidamente, pois Kristina já tinha vivido bem mais do que qualquer garota de quinze anos deveria viver.
Kristina perdera seus pais em um estranho acidente de carro quando tinha apenas quatro anos e desde então fora criada pelos tios, Paul e Margareth. O casal a recebeu de braços abertos, mas apesar de seus esforços nunca estariam preparados para dar a Kristina o tipo de educação que ela precisaria para enfrentar seu futuro, não que pudesse culpá-los disso, afinal de contas como poderiam imaginar o que o futuro reservava para essa jovem.
A vida com seus novos pais não fora das mais fáceis, mas também não fora um inferno, eles mesmos nunca lhe fizeram mal algum e nem nunca a colocaram em nenhuma situação constrangedora. Mas isso não se aplicava aos dois filhos do casal, os gêmeos Calvin; aliás, esse era um estranho sobrenome, pensava ela. Os irmãos Calvin sempre que podiam tentavam atrapalhar a vida de Kristina, ela às vezes pensava se a missão de vida deles, não seria atormentá-la. Se pelo menos fossem crianças ela entenderia o comportamento ridículo que ambos tinham ao seu lado. Mas eles não eram exatamente crianças, afinal de contas tinham dezesseis anos. Puxa, eles devem ser retardados mesmo, analisava a garota.
Dia após dia ela era infernizada pelas duas criaturas que chamava de irmãos e nisso os pais eram culpados, pois nunca faziam nada para acabar com esta situação. Provavelmente esse foi um dos mais fortes motivos que levaram Kristina a gritar de alegria quando recebeu a proposta de uma bolsa integral de estudos no Reino Unido, em resposta a um e-mail que havia mandado para se candidatar à vaga na instituição. A única coisa estranha era que ela não se lembrava de ter enviado e-mail algum. Um pouco desconfiada ela investigou pela internet sobre a escola e a cidade onde esta, estava localizada. E a cada pagina que lia, Kristina foi se maravilhando de uma forma que nunca pensara ser possível.
Se resolvesse aceitar o convite sua nova residência ficaria encravada no meio das Higlands (terras altas) na Escócia, próxima da cidade de Inverness, a capital da região de Highland. Mas em meio a tudo que vira o que mais lhe chamara a atenção era o nome da cidadezinha onde a escola ficava, Eternity, eternidade era algo legal em se pensar, sorriu Kristina. 
Eram tantas as coisas que lhe atraiam para Eternity que ela nem saberia por onde começar. O clima frio era tudo que ela mais gostava e nada do que poderia ter onde morava, afinal de contas a Flórida poderia ser tudo, menos fria. Kristina andou pelo quarto e olhou-se no espelho e sorriu vendo seus cabelos negros se mexerem e contrastarem com sua pele que era muito branca. Duvido que lá vão me chamar de albina, ou de cara de neve como fazem os dois loucos (os gêmeos), pensou ela novamente. Mas algo veio a sua mente. Como ela iria convencer seus pais adotivos de seus planos. Não! Eles não iriam deixá-la ir para outro continente! Colocariam todos os empecilhos do mundo para isso.

Pensando sobre o assunto Kristina caiu em lágrimas e deitou-se em sua cama enquanto pela primeira vez em um longo tempo fechou os olhos e pediu ajuda a Deus para convencê-los que o intercâmbio seria o certo. 
1
Mudança de vida
A noite que se seguiu foi uma das mais turbulentas de toda sua vida. Realmente quase não havia dormido de tanta tensão pelo que ocorreria no dia seguinte, mas para sua total surpresa o que ocorrera fugiu totalmente de suas negras previsões, pois os Calvin além de não colocar nenhuma dificuldade em sua viagem, a incentivaram bastante dizendo que seria ótimo para sua evolução em vários aspectos. Que estranho- pensou.
As duas semanas que se seguiram e precederam a viagem, foram as mais difíceis de toda sua vida. A tensão era tanta que mal conseguia esperar para chegar nas Higlands, e em sua nova cidade, Eternity.
Kristina despediu-se de todos seus amigos, da escola e de outros locais e preparou-se para a aventura de sua vida. Finalmente Miami ficaria para trás. Várias pessoas e amigos falavam que ela era louca por estar indo para o meio do nada nas montanhas da Escócia, local que ela apenas conhecia de filmes como Highlander, o qual já tinha visto várias e várias vezes, e chorado em todas elas.
Finalmente chegara o dia.
O caminho para o Aeroporto havia sido razoavelmente tranqüilo e os gêmeos, por algum estranho motivo resolveram se comportar dignamente. Com abraços eles se despediram, sabendo que somente se veriam nas férias e Kristina olhando para seus pais adotivos chorou do fundo de seu coração. Apesar de tudo que os gêmeos lhe faziam, eles eram sua família e com um beijo no rosto se despediram. Uma nova etapa começava em sua vida.
            A viagem foi bem mais longa do que ela imaginava, mas ao chegar ao aeroporto a diferença de ares já se fez presente.
            Kristina achou as pessoas um pouco mais frias do que o habitual, não que os americanos fossem tão calorosos assim. Mas sorrindo, caminhou pelo desembarque e logo viu uma placa com seu nome: Kristina Taylor. Erguendo os braços ela mostrou que havia visto e caminhou até o local avistando um homem de meia idade a esperando com a placa na mão. Ele a cumprimentou educadamente e pediu que o seguisse. Kristina o fez e sorriu vendo o carro estacionado no pátio do aeroporto.
- É longe?- perguntou ela curiosa.
O homem sorriu e falou que realmente era um pouco longe, dependendo do referencial de distancia que ela tivesse e do meio que usassem para chegar.
Resposta esquisita- pensou. – Bem, não estou mais em casa, as coisas devem ser diferentes.
A viagem foi realmente longa, mas a visão da paisagem valia cada segundo gasto. Realmente eram as montanhas mais belas que vira em sua vida. Mas aquilo não era nada se comparado à cidade de Eternity, encravada no meio das Terras altas da Escócia.
- Lindo!- exclamou e o motorista falou que a escola era logo em frente, fora da cidade em meio as mais belas montanhas do local. E pela primeira vez em muito tempo Kristina sorriu de plena felicidade.
Quase sem fôlego viu o carro entrar na estrada que levava até New-Castle. Ficava tudo mais impressionante a cada segundo e com ar de assombro finalmente viu sua nova escola que mais parecia um enorme castelo medieval, alias pela localização provavelmente deveria ter sido um castelo, habitado por nobres do passado.

            E perante aquela impressionante visão ela nada falou a não ser um enorme “UAU!”