domingo, 29 de dezembro de 2013

Crônicas do Infinito (Parte 1)

Crônicas do Infinito
Tomo I
Conflitos


Por: Rogério Gouveia















Introdução
Há muito, muito tempo, bem além da compreensão humana , uma raça percorreu a existência.
                Vindos de um mundo chamado Hakraby, esses seres que transcendiam o entendimento e iam além do conceito de divindade exploraram e colonizaram inúmeros universos. Eles foram os primeiros entre os primeiros e ficariam conhecidos como Transcendentais.
                Mas chegou o dia em que esses transcendentais, guiados por seu líder, o Matsuuraby, desapareceram misteriosamente deixando a Criação para seus filhos.
                Gerações divinas se sucederam, até que doze gerações depois, a Criação entrava novamente em um ponto de convulsão.

















Prelúdio
                Akyton, olhava o horizonte estelar enquanto pensava que toda sua vida lhe havia encaminhado para aquele momento.
                Enquanto, o nobre Gaiano, pensava em seu destino uma criatura amebóide aproximou-se flutuando em um campo telecinético. Era um Luxor, uma das mais antigas raças do universo, os quais eram constituídos de quase puramente tecido neurológico envolto em uma película protetora que podia mudar de forma.
                “Chegou ... hora!” – falou o ser telepaticamente.
                - Sim...-balbuciou Akyton.
                “Honra... sentimento...ao seu lado.” – Expressou-se o Luxor, e nisso Akyton o olhou com respeito e ambos se teleportaram para a ponte da nave.
                A nave em que estavam, havia sido construída usando a mais alta tecnologia existente. Seu formato hexagonal lhe dava uma aparecia exótica e a fazia brilhar em enorme beleza, como agora ao receber os raios solares da estrela que ficava cada vez mais próxima.
                - Fomos detectados! – anunciou o huno que os recebia na ponte da nave.
                “Esperado era.” – comentou o Luxor.
                Akyton olhou para o vazio e falou:
                - Agora!
                Ao seu comando o espaço brilhou com o surgimento de milhares de fendas espaciais (TDEs) que deram passagem a dezenas de milhares de naves de guerra.
                - A batalha final se aproxima de seu ápice.- comentou o Huno para o Gaiano.
E nisso como em resposta as palavras do Huno, uma nuvem negra ofuscou a estrela próxima quando a frota inimiga se manifestou.
- Trevas...- comentou Akyton. – Vamos dar a eles um pouco de nossa luz.
Centenas de milhões de disparos foram emitidos pela esquadra comandada pelo Gaiano fazendo de suas palavras uma verdade. E em meio ao Caos a batalha se iniciou.
Yuram, a nave que levava Akyton penetrou brutalmente em meio a nuvem inimiga, protegida por uma esquadra de elite e avançou rapidamente.
Mas as forças das Trevas eram enormes e a destruição começou a se formar ao redor da nave.
- Rápido! – gritou o huno enquanto via seus aliados cairem um a um.
Em instantes Yuram navegava sozinha rumo ao seu destino a mercê da destruição, mas nisso a nave brilhou e desprendeu seu núcleo do restante de sua estrutura e avançou enquanto as partes abandonadas explodiam levando infindáveis inimigos em sua nuvem de morte.
- Mais se aproximam!- falou o Huno.
“Infinito ... Eternidade... ao seu lado ... sempre estarão!” – falaram os quatro Luxor’s que os acompanhavam  enquanto desapareciam e ressurgiam em volta da nave criando um campo protetor para que o avanço continuasse rumo a uma enorme estrutura envolta por bilhões de naves da Trevas.
Dentro da nave Akyton viu uma lagrima escorrer de seus olhos enquanto percebia o ultimo suspiro de seres que deveriam ser imortais.
- Deve ir! – disse o Huno. – E que minha morte seja a chave de sua vitória.
Akyton concentrou-se e desapareceu do núcleo da nave para ressurgir no espaço, a tempo de ver seu antigo transporte desaparecer em uma bola de luz que levou muitos inimigos para a morte.
A sua volta ele viu a morte se aproximar e nisso abriu os braços enquanto proferia antigas palavras sagradas e secretas. Uma esfera dourada se manifestou a sua volta e nisso o Gaiano se atirou no meio do dispositivo, maior que uma estrela que as Trevas criavam.
Akyton brilhou como se fosse o núcleo de uma estrela e com fúria liberou a essência de sua alma e de seu espírito. Cada pequena parte de seu ser se inundou de energia e nisso ele percebeu que seu destino se realizaria. Não havia duvidas em suas ações, apenas um lamento, pelo fato de nunca ter tido a oportunidade de encontrar a mulher com quem sonhara desde sua infância. Quem seria ela? Será que ela existia realmente? Infelizmente essas seriam respostas que ele não teria. E com uma última palavra do núcleo de Akyton o poder da Luz foi liberado para destruir as Trevas que assolavam o Cosmos.
- Kritin!- essa foi sua ultima mensagem para a criação, o nome de sua amada, que nunca havia conhecido.
O espaço se contorceu sobre si mesmo e em fúria explodiu levando consigo todo o núcleo da galáxia onde estavam. Era a mais dantesca força liberada na criação em muitos bilhões de anos. Uma força de purificação que daria uma nova chance a um universo que quase se via extinto nas mãos de um avassalador inimigo.
Em meio ao cataclismo Akyton sentiu seu corpo desaparecer e nisso começou a perceber sua consciência se esvair. Infinito e eternidade se abriam diante dele e as portas do mesmo... Ele sentiu...Era uma presença longínqua, mas solida. Era ela, Kritin. E com suas últimas forças o salvador de tantas vidas lançou-se em sua direção na esperança de vê-la pelo menos uma vez antes de seu fim.
Prelúdio 2
“Vida fervilha pelo universo, em infinitas formas, desconectadas umas das outras, mas sem perceber que a tudo tocam e se conectam por suas mentes.”
Muito antes de o homem habitar a Terra, vida já havia no planeta. Mas não somente as formas de vida que conhecemos.
Na antiga era onde todos os continentes eram um só, antes até dos dinossauros andarem pela Terra, vida inteligente andava em nosso mundo, conhecido por aquele povo como Gaia. Os Gaianos eram um povo nobre, vindos das estrelas, após a destruição de seu mundo natal eles se estabeleceram na Terra, Gaia, para dar um novo passo em suas existências.
Mas não apenas os Gaianos habitavam as estrelas. Centenas de raças habitavam a galáxia e viajavam pelo espaço. E muitas outras seguiam seus destinos sem ainda tocar as estrelas, muitas se achando, únicas no universo. Mas não apenas nossa galáxia era habitada, o universo inteiro fervilhava em vida. Portais estelares interligavam longas distancia, dando origem a contatos dos mais variados tipos. Portais esses cuja origem se perdia no esquecimento, pois eram mais antigos que a mais antiga das raças. E mais portais eram construídos a cada dia por civilizações que haviam se apoderado de tais tecnologias.
Vida se espalhava pelo Cosmos, mas não apenas vida... Morte também, morte e Trevas.
Vindas ninguém sabe de onde uma nova raça havia surgido e esmagado a tudo em seu caminho. Galáxias foram conquistadas e outras dizimadas por uma fúria que ofuscava a luz da criação.
Guerra se fez. Guerra que envolveu civilizações cuja evolução estavam muito acima do entendimento mundano que temos em nosso mundo hoje. Mas no final não foram essas civilizações quase divinas que salvaram a criação, e sim ele. Um simples Gaiano, uma das raças ainda novas no espaço, foi o responsável pela continuidade da vida no universo.
Os impérios talvez nunca saibam o que essa paz custou a Ele. Mas sempre respeitarão o ato de sacrifício que deu uma nova oportunidade para a vida. Vida que esta prestes a ser ameaçada novamente.

1
Cem anos depois da Queda das Trevas.
Naves circundavam os céus, liberando feixes multicoloridos que iluminavam a noite de Mu, a capital de Gaia. Uma multidão se aglomerava nas ruas em comemoração a virada do primeiro século após a expulsão das Trevas. Realmente era uma data muito especial que estava sendo comemorada em todos os cantos do planeta e demais localidades onde os seres humanos se encontravam no universo.
Muito acima do solo, no andar de número 511 do palácio presidencial, um enorme salão servia como ambiente de festa e confraternização para as muitas espécies que haviam vindo para a celebração. Não apenas os humanos haviam se beneficiado com a expulsão das trevas, e todos sabiam disso. Embaixadores de muitas raças da Aliança estavam ali em homenagem ao humano que havia encerrado a guerra. Realmente era uma enorme mudança, pois a pouco mais de um século os humanos eram tidos como uma das espécies menores e mais sem importância da Aliança.
Calmamente o Presidente Mackoy caminhou entre todos, distribuindo sorrisos e saudações, até que parou a frente de Sa-or, embaixador do Hunos, uma das raças mais proeminentes da Aliança.
- Um dia especial!- falou o embaixador.
- Sim! E desejamos compartilhar nossa alegria com todos.- respondeu o presidente.
- Reuniram aqui muitos que normalmente não se encontrariam.- comentou o Huno.
- É bom ver que sentimentos podem mudar.- respondeu o presidente.
- Não se engane. – sorriu o Huno. – Eles o fazem apenas em respeito a Ele e não uns pelos outros. Se negar a vir seria desrespeitar sua memória e isso nenhum deles deseja.
- E o senhor, por que veio? Em respeito? – questionou Mackoy.
- Não! Mostramos nosso respeito de outras formas!
- Mas então por que enviar um representante a Gaia agora. Nunca haviam vindo aqui antes.
- Era hora! – respondeu Sa-or.
- Mas por que agora?- insistiu o Presidente.
- Vejo que não entendem. Poucos conseguem entender. Mas em breve ficará claro!- finalizou o Huno, se afastando.
“Estranhos e fascinantes.” – pensou Mackoy.
- Vejo que tentam entender os Hunos!- falou Há’el, embaixador Dorian, uma das raças de poder, mais próximas dos humanos.. – Tentamos isso há milhões de anos e ainda não tivemos êxito. Mas eles gostam de vocês, o que é incomum aos Hunos. Quando...
Repentinamente Há’el se silenciou ao ver um estranho ser, envolto em uma exótica veste entrar no salão. Ao perceber a entrada do novo convidado, todos se calaram em total e completo espanto.
- Um Luxor! – falou Há’el.
- Mas como? Questionou o Presidente.
- Senhor presidente, não houve aproximação de nenhuma nave, além das notificadas. – Comentou um oficial da Federação. (Órgão maior dos humanos no universo).
- Ela esta lá. – comentou o Dorian. – mesmo que não a vejam. Mas, Luxor’s não saem de seu planeta natal. O que ele faz aqui?
O Luxor passou flutuando por todos, desviando o olhar apenas sutilmente para Sa-or, até que chegou ao presidente da Federação Humana.
- Bem vindo. - Falou Mackoy, sem jeito.
O Luxor nada falou.
Um silencio se fez e o Presidente novamente disse:
- O que o traz até nosso lar?
- Destino...- respondeu o Luxor com sua voz modulada, criada por equipamentos de sua veste que cobria totalmente seu corpo, dando-lhe uma aparência humanoide.
- Podemos fazer algo pelo senhor?- perguntou Mackoy.
- Sim...- se pronunciou o enigmático ser e de sua veste flutuou um cristal de dados até as mãos do Presidente.
Feito isso o Luxor desapareceu na frente de todos sem deixar o menor rastro.
- Como? – perguntou um oficial próximo vendo que não haviam traços de teleporte e sabendo que a atmosfera de Gaia era protegida contra tal viagem sem liberação anterior.
Mackoy olhou para Há’el que falou:
- Admito a estranheza do acontecido. Em meus mais de seiscentos anos de trabalho nunca estive na presença de um Luxor. Somente resta ver o que ele deseja.
Os dois foram a um escritório e Mackoy inseriu o cristal de dados em um computador que emitiu um mapa tridimensional e uma mensagem que indicava um local a ser visitado e especificava quem deveria comandar a nave até lá. O comandante Siun Vanlór.

Mackoy e Há’el se olharam e nisso o Presidente passou uma ordem ao ministro das forças armadas da federação. Não havia como não atender os Luxor´s.

Nenhum comentário:

Postar um comentário