Crônicas do Infinito
Tomo I
Conflitos
Por: Rogério Gouveia
Introdução
Há muito, muito tempo, bem além
da compreensão humana , uma raça percorreu a existência.
Vindos
de um mundo chamado Hakraby, esses seres que transcendiam o entendimento e iam
além do conceito de divindade exploraram e colonizaram inúmeros universos. Eles
foram os primeiros entre os primeiros e ficariam conhecidos como
Transcendentais.
Mas
chegou o dia em que esses transcendentais, guiados por seu líder, o Matsuuraby,
desapareceram misteriosamente deixando a Criação para seus filhos.
Gerações
divinas se sucederam, até que doze gerações depois, a Criação entrava novamente
em um ponto de convulsão.
Prelúdio
Akyton,
olhava o horizonte estelar enquanto pensava que toda sua vida lhe havia
encaminhado para aquele momento.
Enquanto,
o nobre Gaiano, pensava em seu destino uma criatura amebóide aproximou-se
flutuando em um campo telecinético. Era um Luxor, uma das mais antigas raças do
universo, os quais eram constituídos de quase puramente tecido neurológico
envolto em uma película protetora que podia mudar de forma.
“Chegou
... hora!” – falou o ser telepaticamente.
-
Sim...-balbuciou Akyton.
“Honra...
sentimento...ao seu lado.” – Expressou-se o Luxor, e nisso Akyton o olhou com
respeito e ambos se teleportaram para a ponte da nave.
A
nave em que estavam, havia sido construída usando a mais alta tecnologia
existente. Seu formato hexagonal lhe dava uma aparecia exótica e a fazia
brilhar em enorme beleza, como agora ao receber os raios solares da estrela que
ficava cada vez mais próxima.
-
Fomos detectados! – anunciou o huno que os recebia na ponte da nave.
“Esperado
era.” – comentou o Luxor.
Akyton
olhou para o vazio e falou:
-
Agora!
Ao
seu comando o espaço brilhou com o surgimento de milhares de fendas espaciais
(TDEs) que deram passagem a dezenas de milhares de naves de guerra.
-
A batalha final se aproxima de seu ápice.- comentou o Huno para o Gaiano.
E nisso como em resposta as
palavras do Huno, uma nuvem negra ofuscou a estrela próxima quando a frota
inimiga se manifestou.
- Trevas...- comentou Akyton. –
Vamos dar a eles um pouco de nossa luz.
Centenas de milhões de disparos
foram emitidos pela esquadra comandada pelo Gaiano fazendo de suas palavras uma
verdade. E em meio ao Caos a batalha se iniciou.
Yuram, a nave que levava Akyton
penetrou brutalmente em meio a nuvem inimiga, protegida por uma esquadra de
elite e avançou rapidamente.
Mas as forças das Trevas eram
enormes e a destruição começou a se formar ao redor da nave.
- Rápido! – gritou o huno
enquanto via seus aliados cairem um a um.
Em instantes Yuram navegava
sozinha rumo ao seu destino a mercê da destruição, mas nisso a nave brilhou e
desprendeu seu núcleo do restante de sua estrutura e avançou enquanto as partes
abandonadas explodiam levando infindáveis inimigos em sua nuvem de morte.
- Mais se aproximam!- falou o
Huno.
“Infinito ... Eternidade... ao
seu lado ... sempre estarão!” – falaram os quatro Luxor’s que os
acompanhavam enquanto desapareciam e
ressurgiam em volta da nave criando um campo protetor para que o avanço
continuasse rumo a uma enorme estrutura envolta por bilhões de naves da Trevas.
Dentro da nave Akyton viu uma
lagrima escorrer de seus olhos enquanto percebia o ultimo suspiro de seres que
deveriam ser imortais.
- Deve ir! – disse o Huno. – E
que minha morte seja a chave de sua vitória.
Akyton concentrou-se e
desapareceu do núcleo da nave para ressurgir no espaço, a tempo de ver seu
antigo transporte desaparecer em uma bola de luz que levou muitos inimigos para
a morte.
A sua volta ele viu a morte se
aproximar e nisso abriu os braços enquanto proferia antigas palavras sagradas e
secretas. Uma esfera dourada se manifestou a sua volta e nisso o Gaiano se
atirou no meio do dispositivo, maior que uma estrela que as Trevas criavam.
Akyton brilhou como se fosse o
núcleo de uma estrela e com fúria liberou a essência de sua alma e de seu
espírito. Cada pequena parte de seu ser se inundou de energia e nisso ele
percebeu que seu destino se realizaria. Não havia duvidas em suas ações, apenas
um lamento, pelo fato de nunca ter tido a oportunidade de encontrar a mulher
com quem sonhara desde sua infância. Quem seria ela? Será que ela existia
realmente? Infelizmente essas seriam respostas que ele não teria. E com uma
última palavra do núcleo de Akyton o poder da Luz foi liberado para destruir as
Trevas que assolavam o Cosmos.
- Kritin!- essa foi sua ultima
mensagem para a criação, o nome de sua amada, que nunca havia conhecido.
O espaço se contorceu sobre si
mesmo e em fúria explodiu levando consigo todo o núcleo da galáxia onde
estavam. Era a mais dantesca força liberada na criação em muitos bilhões de
anos. Uma força de purificação que daria uma nova chance a um universo que
quase se via extinto nas mãos de um avassalador inimigo.
Em meio ao cataclismo Akyton
sentiu seu corpo desaparecer e nisso começou a perceber sua consciência se
esvair. Infinito e eternidade se abriam diante dele e as portas do mesmo... Ele
sentiu...Era uma presença longínqua, mas solida. Era ela, Kritin. E com suas
últimas forças o salvador de tantas vidas lançou-se em sua direção na esperança
de vê-la pelo menos uma vez antes de seu fim.
Prelúdio 2
“Vida fervilha pelo universo, em
infinitas formas, desconectadas umas das outras, mas sem perceber que a tudo
tocam e se conectam por suas mentes.”
Muito antes de o homem habitar a
Terra, vida já havia no planeta. Mas não somente as formas de vida que
conhecemos.
Na antiga era onde todos os
continentes eram um só, antes até dos dinossauros andarem pela Terra, vida
inteligente andava em nosso mundo, conhecido por aquele povo como Gaia. Os
Gaianos eram um povo nobre, vindos das estrelas, após a destruição de seu mundo
natal eles se estabeleceram na Terra, Gaia, para dar um novo passo em suas
existências.
Mas não apenas os Gaianos
habitavam as estrelas. Centenas de raças habitavam a galáxia e viajavam pelo
espaço. E muitas outras seguiam seus destinos sem ainda tocar as estrelas,
muitas se achando, únicas no universo. Mas não apenas nossa galáxia era
habitada, o universo inteiro fervilhava em vida. Portais estelares interligavam
longas distancia, dando origem a contatos dos mais variados tipos. Portais
esses cuja origem se perdia no esquecimento, pois eram mais antigos que a mais
antiga das raças. E mais portais eram construídos a cada dia por civilizações
que haviam se apoderado de tais tecnologias.
Vida se espalhava pelo Cosmos,
mas não apenas vida... Morte também, morte e Trevas.
Vindas ninguém sabe de onde uma
nova raça havia surgido e esmagado a tudo em seu caminho. Galáxias foram
conquistadas e outras dizimadas por uma fúria que ofuscava a luz da criação.
Guerra se fez. Guerra que
envolveu civilizações cuja evolução estavam muito acima do entendimento mundano
que temos em nosso mundo hoje. Mas no final não foram essas civilizações quase
divinas que salvaram a criação, e sim ele. Um simples Gaiano, uma das raças
ainda novas no espaço, foi o responsável pela continuidade da vida no universo.
Os impérios talvez nunca saibam o
que essa paz custou a Ele. Mas sempre respeitarão o ato de sacrifício que deu
uma nova oportunidade para a vida. Vida que esta prestes a ser ameaçada
novamente.
1
Cem anos depois da Queda das
Trevas.
Naves circundavam os céus,
liberando feixes multicoloridos que iluminavam a noite de Mu, a capital de
Gaia. Uma multidão se aglomerava nas ruas em comemoração a virada do primeiro
século após a expulsão das Trevas. Realmente era uma data muito especial que
estava sendo comemorada em todos os cantos do planeta e demais localidades onde
os seres humanos se encontravam no universo.
Muito acima do solo, no andar de
número 511 do palácio presidencial, um enorme salão servia como ambiente de
festa e confraternização para as muitas espécies que haviam vindo para a
celebração. Não apenas os humanos haviam se beneficiado com a expulsão das
trevas, e todos sabiam disso. Embaixadores de muitas raças da Aliança estavam ali
em homenagem ao humano que havia encerrado a guerra. Realmente era uma enorme
mudança, pois a pouco mais de um século os humanos eram tidos como uma das
espécies menores e mais sem importância da Aliança.
Calmamente o Presidente Mackoy
caminhou entre todos, distribuindo sorrisos e saudações, até que parou a frente
de Sa-or, embaixador do Hunos, uma das raças mais proeminentes da Aliança.
- Um dia especial!- falou o
embaixador.
- Sim! E desejamos compartilhar
nossa alegria com todos.- respondeu o presidente.
- Reuniram aqui muitos que
normalmente não se encontrariam.- comentou o Huno.
- É bom ver que sentimentos podem
mudar.- respondeu o presidente.
- Não se engane. – sorriu o Huno.
– Eles o fazem apenas em respeito a Ele e não uns pelos outros. Se negar a vir
seria desrespeitar sua memória e isso nenhum deles deseja.
- E o senhor, por que veio? Em
respeito? – questionou Mackoy.
- Não! Mostramos nosso respeito
de outras formas!
- Mas então por que enviar um
representante a Gaia agora. Nunca haviam vindo aqui antes.
- Era hora! – respondeu Sa-or.
- Mas por que agora?- insistiu o
Presidente.
- Vejo que não entendem. Poucos
conseguem entender. Mas em breve ficará claro!- finalizou o Huno, se afastando.
“Estranhos e fascinantes.” –
pensou Mackoy.
- Vejo que tentam entender os Hunos!-
falou Há’el, embaixador Dorian, uma das raças de poder, mais próximas dos
humanos.. – Tentamos isso há milhões de anos e ainda não tivemos êxito. Mas
eles gostam de vocês, o que é incomum aos Hunos. Quando...
Repentinamente Há’el se silenciou
ao ver um estranho ser, envolto em uma exótica veste entrar no salão. Ao
perceber a entrada do novo convidado, todos se calaram em total e completo
espanto.
- Um Luxor! – falou Há’el.
- Mas como? Questionou o
Presidente.
- Senhor presidente, não houve
aproximação de nenhuma nave, além das notificadas. – Comentou um oficial da
Federação. (Órgão maior dos humanos no universo).
- Ela esta lá. – comentou o
Dorian. – mesmo que não a vejam. Mas, Luxor’s não saem de seu planeta natal. O
que ele faz aqui?
O Luxor passou flutuando por
todos, desviando o olhar apenas sutilmente para Sa-or, até que chegou ao
presidente da Federação Humana.
- Bem vindo. - Falou Mackoy, sem
jeito.
O Luxor nada falou.
Um silencio se fez e o Presidente
novamente disse:
- O que o traz até nosso lar?
- Destino...- respondeu o Luxor
com sua voz modulada, criada por equipamentos de sua veste que cobria
totalmente seu corpo, dando-lhe uma aparência humanoide.
- Podemos fazer algo pelo
senhor?- perguntou Mackoy.
- Sim...- se pronunciou o enigmático
ser e de sua veste flutuou um cristal de dados até as mãos do Presidente.
Feito isso o Luxor desapareceu na
frente de todos sem deixar o menor rastro.
- Como? – perguntou um oficial
próximo vendo que não haviam traços de teleporte e sabendo que a atmosfera de
Gaia era protegida contra tal viagem sem liberação anterior.
Mackoy olhou para Há’el que
falou:
- Admito a estranheza do
acontecido. Em meus mais de seiscentos anos de trabalho nunca estive na
presença de um Luxor. Somente resta ver o que ele deseja.
Os dois foram a um escritório e
Mackoy inseriu o cristal de dados em um computador que emitiu um mapa tridimensional
e uma mensagem que indicava um local a ser visitado e especificava quem deveria
comandar a nave até lá. O comandante Siun Vanlór.
Mackoy e Há’el se olharam e nisso
o Presidente passou uma ordem ao ministro das forças armadas da federação. Não
havia como não atender os Luxor´s.
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