domingo, 29 de dezembro de 2013

Gênese de Fogo - Parte 1

Gênese de Fogo

Por: Rogério Gouveia






“Quando o arrependimento é sincero e a vontade de mudar existe no coração, o Perdão de Deus é Infinito e incondicional”
Evangelho Celeste de Jáve

Prelúdio

Da cabine de comando de sua nave interestelar o Capitão Jelaah vislumbrava admirando a beleza a sua frente. Jurava ele que nunca iria se cansar de observar a magnitude das estrelas gêmeas de Makloran que trocavam matéria entre si em uma espetacular dança cósmica.
            Com ar de tristeza o Capitão viu sua nave se afastar daquele espetáculo celeste, enquanto preparava seus dispositivos para gerar um TDE (tubo de distorção espacial que fendia o espaço encurtando a distancia entre dois pontos.)
            Os geradores iniciavam sua ação libertando matéria exótica com capacidade de distorcer o espaço-tempo e Jelaah se despedia do local quando o próprio tecido espacial pareceu gritar ferozmente, e sem nenhum aviso um TDE de alta energia (usado para ligar pontos longínquos) abriu-se a sua frente.
            Uma onda gigantesca de poder brotou da fenda, jogando a nave longe, logo depois que Jelaah ordenou que os escudos de força fossem colocados na máxima potência. Em meio ao pânico e a confusão, gerados pelo ocorrido, o Capitão avistou uma esfera surgir no vortex do TDE e adentrar no espaço normal. Concentrando-se e usando suas capacidades psíquicas para ver melhor sentiu algo no intimo de sua alma que o gelou; oque quer que fosse aquilo emitia um poder brutal nunca sentido antes pelo Capitão.
            “O que era aquilo?” –pensou ele. O velho Capitão somente havia sentido algo similar quando em presença de Lorde Mikael, o líder dos Arcanjos do Supremo JAVÉ.
            A esfera passou pôr eles como se nada fossem, penetrou em uma das estrelas gêmeas e saiu do outro lado com a mesma facilidade que uma criança tem em andar ao vento.
            Jelaah cerrou os lábios em uma mescla de medo e preocupação ao ver a esfera ganhar velocidade incomensurável e sumir de vista. O que quer que fosse aquilo estava se dirigindo diretamente para o núcleo do Circulo Celeste. Apressadamente ele tratou de avisar sua base central.
           
            Do núcleo da esfera “o ser” olhava tudo a sua volta. Tanto tempo havia se passado desde que tinha ido embora que quase havia se esquecido de suas origens. Mas, apenas quase...
            Hoje era o dia de seu retorno e ao seu redor “ele” via frotas se movendo e naves batedoras tentando alcançá-lo. Um dia, ele mesmo, havia estado em uma destas naves. Mas hoje...elas não eram nada. Apenas grãos de poeira a sua volta. Grãos que certamente tremeriam se soubessem quem estava ali naquela esfera. E tristemente “ele” sabia que estavam certos quanto àqueles temores.
            Nisso “o ser” acelerou deixando a poeira para trás, sem esperança de alcançá-lo e entrou no núcleo do Circulo Celeste.
            Como era lindo ali, “ele” mal se lembrava daquela beleza. Mas uma percepção ocorreu em seus sentidos e a beleza foi maculada pelo aparecimento de forças Celestes de elite. Mas como “ele” poderia culpá-los pôr macular esse local, se “ele” mesmo, no passado, havia sido o culpado pôr danos inacreditáveis àquela beleza.
            “Era hora.” – pensou a criatura.        
A esfera então parou e o ser viu os onze guerreiros a sua frente. Eram seres de grande poder, cheios de confiança, e que se achavam capazes de enfrentar a tudo. Mas para “ele” eram moscas que não estavam à altura de recebê-lo depois de uma ausência tão longa.
Seus olhos brilharam, e de dentro da esfera, sem que o vissem, os congelou no ar, transformando a confiança destes em incredulidade.
Foi somente após isso que o que ele desejava aconteceu. O espaço se dobrou dando lugar a três novas criaturas.
Ao vê-los “o ser” sorriu e a esfera se desfez.
Ao ver o habitante da esfera os onze guerreiros congelados foram tomados pôr um pânico indescritível que paralisou suas almas.
“Crianças!”- pensou ele. E nisso finalmente “o ser” falou a aqueles a sua frente.
-          Metrathon! Meu amigo! Creio que jamais poderei mudar o que fiz!- sua voz soava como o trovão, mas emanava uma emoção profunda.
-          O que fez, esta feito!- respondeu o arcanjo guerreiro.
-          Mikael! – voltou a falar o ser. – Trai sua confiança,...Matei seu filho! Tudo pôr algo perdido!
-          Fez o que tinha que fazer! Seus passos estavam escritos desde muito antes de você nascer! – respondeu o líder dos arcanjos.
-          Gabriel! Meu amigo...Creio que não existem palavras a serem ditas entre nós.
Gabriel, nada disse.
O ser então se aproximou e uma lagrima brotou de seus olhos e caiu no vazio, enquanto falava para o infinito.
-          Pai Eterno! Meu Senhor! Eu voltei! Eu que tanto de mal causei aos Céus e que virei às costas a ti Pai! Que todos saibam que Lucifer voltou ao seu lugar de direito ao lado de Deus!...
            E a história finalmente será revelada.
            Que apareçam os enigmáticos “Segredos de Deus!”

Introdução


Há muito tempo atrás, muito mais do que a mente humana consegue conceber, haviam duas potências Cósmicas gigantescas que se espalhavam rumo ao infinito. Seus lideres eram Deuses de infinitos seres e o são até os nossos dias; são eles Hosheck, o Senhor das Trevas e da Destruição e Javé, o senhor da Luz e da Criação.
Entre tais seres e seus reinos uma vasta guerra ocorria a tempos imemoriais.
JAVÉ, o Mestre Supremo da Luz e líder dos Círculos Celestes, rege seu reino baseado pelos preceitos da Ordem e do livre arbítrio. Valores que deseja espalhar por toda a existência.
Já HOSHECK, o Lorde Supremo das Trevas, é o líder dos Círculos Negros e os governa pelos preceitos daquilo que chama de Caos. Mas na verdade o que esta sob seu comando é um reino dominado pelo autoritarismo total. HOSHECK prega o conflito como meio de evolução e para tanto espalha guerras pelo Cosmos, na esperança de que através delas surjam os mais fortes que caminharão sob o seu manto de comando.
Com forças diametralmente opostas JAVÉ e HOSHECK lutam por seus ideais e em meio a isso um conflito perdura há tempos.
É nesse cenário que nossa história se passa.

1
Batalha de Amasair

Uma relativa paz perdurava a algum tempo nos Círculos Celestes e com isso muitos tocavam suas vidas sem se lembrar do fardo da guerra. Mas uma nova série de investidas ocorreu sobre o Reino Celeste obrigando-o a novas batalhas.
É em meio a uma destas batalhas que nossa saga tem inicio. Um conflito que nunca seria lembrado se nele não estivesse aquele que no futuro seria Lucifer, o ser mais temido dos Céus, mas que ainda era apenas Luhien, um querubim (classe de guerreiros celestes, famosa por sua bravura.)
Amasair era um mundo de grande beleza, onde uma civilização pacifica e muito desenvolvida vivia em harmonia com a natureza. Torres gigantescas e florestas milenares dividiam o espaço, quase em simbiose.
O povo local tinha um governo único e uma só língua e eram dedicados a gaia-ciència (ramo de estudos que visa compreender e dominar as energias totais de um planeta). Sua relação com o reino celeste era de respeito e profundo amor por Javé, mas isso tudo, agora era passado.
Três dias atrás o manto da morte cobriu Amasair quando uma esquadra de Hosheck atacou vinda do nada. As florestas e campos foram transformados, em cinzas, os prédios feitos em pedaços e os lagos e mares banhados no sangue de um povo que foi massacrado e escravizado.
Quando as forças de Javé chegaram encontraram um mundo imerso nas trevas.


Há dois dias os exércitos celestes lutavam com os guerreiros de Hosheck reconquistando vagarosamente o planeta. Mas agora eles estavam prestes a dar um duro golpe no inimigo que os obrigaria a fugirem para longe dali.
Dois esquadrões de doze soldados cada tinham penetrado na zona de comando principal dos inimigos e de lá iriam destruir o núcleo de controle inimigo e assim cortar a comunicação entre os exércitos das trevas.

Abaah, o comandante de um dos esquadrões seguiu rumo ao computador central, enquanto Luhien organizou seus homens rumo a zona do gerador de campo de força que protegia os opressores. Tudo deveria ocorrer em uníssono entre ambos os grupos.
Luhien, tenente das forças de Elmá, dirigiu seu esquadrão pela área de caos à sua frente até que chegaram próximos do alvo.
Tudo estava deserto. “Estranho!”, pensou ele e ordenou que seus homens parassem, para que pudesse vasculhar a área com seus supra sentidos, ampliados ainda mais por sua veste de combate. Rapidamente detectou as defesas locais e após calcular a melhor ação, ejetou quatro dispositivos de seu traje que com uma sequencia de pulsos eletromagnéticos controlados derrubaram os obstáculos.
Com o espaço livre a frente eles seguiram e nisso... a morte se pronunciou.
- Shathar!- gritou um dos soldados celestes ao ver as paredes do complexo se abrirem libertando monstros parecidos com cachorros gigantes.
Shathar eram uma espécie de animal geneticamente modificado para a guerra, similar a um cachorro. Cada um pesava cerca de duzentos e cinquenta quilos, eram muito rápidos, possuíam presas e garras que podiam cotar titânio facilmente e eram muito difíceis de matar.
Os soldados se espalharam. Um deles teve seu braço arrancado por um dos animais e enterrou uma lamina com o outro no plexo da criatura e explodiu dentro deste uma carga de energia. Mas ao rasgar o monstro, o sangue da criatura banhou seu corpo e o resultado foi terrível pois o sangue acido e corrosivo acabou por destroçar sua armadura fazendo sua carne ferver em chamas. A morte foi imediata.
O grupo de Luhien tomou posição defensiva e avançou em meio as feras, as destroçando, mas tomando cuidado com os jatos de sangue das criaturas. Mas então veio o pior, pois junto aos Shathar, sempre existe um Domador.
A cria das trevas pulou de uma plataforma e caiu pesadamente no solo e olhando para seus “cães”, ordenou que recuassem. Gosma caia de seu corpo com mais de dois metros e meio de altura, estrutura forte e meio que reptiliana. Suas presas emitiram um som que parecia ser um desafio e três soldados celeste dos sete ainda vivos, se posicionaram para o ataque.
No instante que avançaram a matilha de animais assassinos atacou impiedosamente. Dois deles se chocaram contra os monstros e o último passou pulando sobre eles. O Domador moveu-se velozmente passando à frente do soldado que terminou seu salto tocando o solo logo na frente da entrada. Com o rosto pálido o celeste tentou dizer algo, mas nisso seu tórax se abriu juntamente com seu abdome fazendo-o cair de joelhos com suas vísceras escorrendo pelo solo. O pobre soldado agonizou muito antes de morrer.
O Domador sorriu e viu seus cães retornarem apos retalharem os soldados.
Inundado de ódio, Luhien ordenou que seus demais soldados recuassem e seu corpo brilhou mostrando o poder de seus chakras (centros de absorção e troca de energia que todos os seres possuem) e pontos nas costas de suas mãos brilharam, liberando laminas de energia que eram como extensões de seus braços.
Furioso ele pulou para o combate com os soldados restantes na sua retaguarda.
Os doze Shathar restantes vieram com tudo e Luhien foi sobre eles executando uma linda e mortal dança com suas laminas dilacerando as criaturas enquanto se desviava dos jatos de sangue que coloriram o ambiente.
Seis monstros caíram mortos e ele avançou sobre o Domador que estava enfurecido pela morte de seus animais.
O ser das trevas desviou-se de seu ataque e veio contra ele com uma lamina negra que brotou de seu antebraço, com um golpe similar ao que havia aberto o soldado celeste ao meio, mas Luhien esquivou-se tendo apenas sua armadura danificada. A criatura era realmente rápida, mas o celeste estava preparado para a batalha.
Concentrando-se, Luhien elevou seu Ki (energia) e expandiu seus sentidos. O monstro veio com a lamina, fazendo-o girar no ar sobre a arma enquanto rasgava o rosto do inimigo com um golpe e ao tocar o solo, o tenente de Elmá cortou profundamente uma das pernas do ser e preparou-se para atravessar-lhe o tórax, quando o Domador desviou-se e segurando-o pela cabeça lançou-o contra uma parede onde Luhien chocou-se pesadamente.
Mal seu corpo tocou o solo, a criatura inchou e cuspiu algo em sua direção. Um campo de força foi erguido e a gosma detonou no contato com este. Luhien com suas laminas ativas, saltou de onde estava rumo à criatura que urrou de ódio emitindo em seguida, tentáculos que o capturaram no ar e o enterraram no solo e depois em uma parede.
Luhien girou e enrolou-se nos tentáculos que se mostravam corrosivos e foi de encontro ao monstro, enterrando neste a lamina de sua punho esquerdo. Os tentáculos afrouxaram um pouco e assim elevou sua lamina direita, penetrando-a por baixo do queixo do monstro e fazendo-a sair pelo topo da cabeça do monstro que morreu instantaneamente.
Luhien com seu corpo queimado livrou-se de sua veste e se concentrou para auxiliar seu fator de cura (todo querubim possui tal característica) no concerto dos danos do corpo.
Seus três soldados restantes eliminaram os Shathar que ficaram perdidos sem o Domador e finalmente explodiram o local, cumprindo a missão.
Abaah e seu grupo tiveram problemas, mas também executaram seu intento, logo após o campo de força cair.
Sem uma organização nas comunicações, as forças de Hosheck em Amasair perderam sua macro-estrutura e foram derrotadas em menos de doze horas.
A vitória tinha vindo, mas a que preço e para quem. Cerca de noventa por cento da população do planeta estava exterminada e os sobreviventes nunca mais seriam os mesmos. Amasair poderia ser reconstruído, mas os danos haviam sido tão profundos que seriam necessários décadas para reestruturar tudo. Cientistas dedicados a Gaia-ciencia neogenica (analise e reconstrução planetária) já se encaminhavam para lá e a população começava a ser preparada para a relocação para outro mundo enquanto Amasair seria reconstituída.
Luhien, já recuperado, andava em meio aos destroços, olhando sem entender o porquê de tanta destruição. “Para que tanta guerra? Por que tantas mortes?”- perguntava-se.
“Poderíamos todos viver em paz e crescer evoluindo rumo ao infinito que é nosso destino. Mas ao invés disso somos forçados ao conflito para termos a paz. Hosheck estava vencendo, pois a simples existência do conflito era uma vitória para ele.”- analisava ele tristemente, mas nisso lembrou-se de Teleah e sorriu novamente. Teleah, seu amor e sua razão de lutar pela paz.
- Estou errado! – falou ele . – Enquanto o amor existir, JAVÉ será vitorioso, nós seremos vitoriosos. É esse o poder que nos move. O desejo de paz, onde possa florescer sem problemas o amor.
E em meio a destruição e ao Caos, Luhien sorriu e falou novamente para si mesmo e para o infinito.
- Meu amor, nós vencemos hoje e um dia derrubaremos as Trevas e estabeleceremos a  Ordem na Criação.

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